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Mais um estudo, agora sob o impacto dos serviços de video sob demanda (VOD). Segundo a Starz Entertainment Group, 70% de seus clientes de serviço de VOD pararam de alugar DVD em vídeo-locadoras. Imaginava um número maior. Uma explicação para este número não ser mais próximo de 100% é que o catálogo de filmes disponíveis por este provedor de serviço não ser tão completo quanto de uma videolocadora.

No post do dia 21/12 , mencionei o estudo da Nielsen que diz que serviços sob demanda (incluindo canais a la carte), apesar das resistências iniciais, podem ser vantajosos para os produtores de conteúdo. Entretanto um estudo da Kagan Research, comentado no artigo da Media Life Magazine, diz que será muito mais custoso para o consumidor.

Não tenho dúvidas que o custo por canal será maior. Entretanto, não estou tão certo que o custo final após a montagem do pacote personalizado será desfavorável ao consumidor, pois só de existir mais essa opção (isso certamente não elimina a forma atual de comercialização de pacotes pré-formatados) já teremos uma nova relação econômica entre consumidor e fornecedor. Quem viver, verá.

Música e VoIP

Já tem tempo que as gravadoras vem usando a internet para ações de marketing global. Mas a utilização de serviços de telefonia VoIP (Voice over IP = telefonia pela Internet) para essas ações é novidade.

O grupo inglês Coldplay está desenvolvendo ação promocional com o Skype . No site do provedor de telefonia IP está disponível não apenas o novo videoclipe “Talk”, como o fã também pode concorrer a uma conversa telefônica com a banda. Isso é bom tanto para a banda, que divulga o novo álbum, como para o Skype, que estará promovendo o serviço de caixa postal.

Empresas brasileiras de telefonia se preparam para oferecer o serviço de IPTV, televisão digital que usa o par de fios de cobre

(Texto de Renato Cruz, extraído do O Estado de S.Paulo de 23/10/2005)

Se o ministro das Comunicações, Hélio Costa, dono de rádio e ex-repórter do programa “Fantástico”, acha ruim a TV no celular, o que dirá disso? As operadoras de telefonia local se preparam para lançar, no ano que vem, o serviço de IPTV, televisão digital e interativa, que usa o protocolo de internet (IP, na sigla em inglês), distribuída pelo par de fios de cobre usados pelo telefone. A linha telefônica é conectada a um decodificador, como o da TV a cabo, plugado ao aparelho de televisão. “Ainda temos de resolver questões regulatórias”, afirmou o diretor de Novos Negócios Residenciais da Telefônica, Márcio Fabbris. As operadoras interpretam que, pela regulamentação atual, podem oferecer somente vídeo sob demanda. Para as empresas de televisão paga, nem isso. No que os dois grupos concordam é que para venderem canais por assinatura, precisariam de uma nova licença. A Telefônica já opera um serviço chamado Imagenio na Espanha e quer lançar a TV paga via fio do telefone em São Paulo até o fim do primeiro semestre de 2006. Ou seja, até a Copa do Mundo.

O grupo de fornecedores do sistema da Telefônica no Brasil é liderado pela Lucent Technologies. Segundo Fabbris, não foi possível trazer a tecnologia usada na Espanha para o País, por causa da capacidade da rede. Lá, o Imagenio usa o padrão M PEG-2, que exige um acesso de 4 megabits por segundo (Mbps). Aqui, a idéia é usar o MPEG-4, com mais compressão, que precisa de até 1,5 Mbps. Na TV a cabo, todos os canais são transmitidos ao mesmo tempo, no mesmo cabo. Na IPTV, cada par de fios carrega um canal por vez. A Brasil Telecom já trabalha há alguns anos no projeto de IPTV e a Telemar tem um piloto, para funcionários, no Rio de Janeiro, onde testa quatro plataformas tecnológicas.

A IPTV é um dos temas mais quentes da Futurecom, maior evento de telecomunicações do País, que começa amanhã em Florianópolis. A francesa Alcatel e a americana Microsoft vão demonstrar na feira um sistema de televisão digital por telefone que é fruto de uma parceria mundial. “A IPTV é o assunto do momento”, disse Helio Rubens Nobre, diretor comercial do Grupo de Comunicações Fixas da Alcatel. “Mas não se restringe a vídeo, também é videoconferência, bate-papo na TV, compartilhamento de fotos.” “Se fosse só vídeo, as empresas iam competir somente em preço”, explicou Renato Cotrim, gerente regional de Negócios da Microsoft. “A televisão passa a se integrar com outros aparelhos da casa, como o telefone, o computador e o telefone móvel. Será possível, por exemplo, programar a gravação de um canal por celular.” O cliente poderá receber identificar quem está ligando na tela da TV ou transferir música, vídeo e fotos do computador para a TV. O sistema da Microsoft e da Alcatel foi contratado pela americana SBC Communications. No Brasil, está sendo testado pela Telemar, entre outras.

O principal caso de IPTV no mundo é da PCCW, de Hong Kong, que tem cerca de 500 mil clientes. Em seguida, vêm a France Telecom, com 200 mil assinantes, e a espanhola Telefónica, com aproximadamente 100 mil. “Essas precursoras representam cerca de 60% da base mundial de assinantes de IPTV”, apontou o gerente da Microsoft. “Elas tiveram de desenvolver soluções próprias.”

Para quem estranha o envolvimento da empresa de Bill Gates neste mercado, Cotrim lembrou que o esforço começou há 8 anos, quando foi comprada a WebTV, que permitia acessar a internet pela televisão, mas não teve o sucesso comercial esperado: “O grupo de IPTV se desenvolveu a partir da WebTV”. A divisão de TV não fica na sede da empresa, em Redmond, Washington, mas em Moutain View, Califórnia, a duas quadras do Google.

Outra empresa que tem sua solução em teste pela Telemar é a UTStarcom. Seus produtos são usados pela Yahoo Broadband, maior empresa de banda larga do Japão, que tem cerca de 40 mil clientes de IPTV, e pela China Netcom, que iniciou piloto com 30 mil pessoas na cidade de Harbin, onde também está a subsidiária chinesa da Embraer. “Como tudo na China, o projeto piloto tem tamanho incomum”, disse Hitoshi Nagano, diretor da UTStarcom no Brasil. “As empresas podem adotar novas maneiras de cobrar pelo conteúdo”, afirmou Eran Wagner, vice-presidente de Soluções de IPTV da Amdocs.

Normalmente, as empresas de TV paga cobram mensalidade e um preço fixo pelo pay-per-view. A IPTV permite vídeo sob demanda e os clientes podem ter formas variadas de pagar, como por pacote de filmes, ou um preço único para acessar quantos quiserem, por um período. “A operadora se transforma em varejista de conteúdo, podendo até adicionar alguma possibilidade de negociação de preço ao sistema.” A Sun Microsystems foi uma das fornecedoras do Imagenio, da Telefónica, na Espanha. Aqui, negocia com várias operadoras. “Também temos teste com a SBC”, afirmou Érsio Libera, diretor de Desenvolvimento de Negócios de Telecomunicações da empresa para a América Latina. “O mercado tem muito potencial.” Para ele, um grande desafio no Brasil será formatar o serviço para chegar à classe C.

A IPTV irá oferecer diversos novos serviços em nossos aparelhos de TV como videofone, jogos interativos, comércio eletrônico e muitos outros. Mas não podemos esquecer o serviço básico: canais de TV.

Mas mesmo nesse serviço básico, ela poderá trazer uma vantagem significativa sobre os serviços atuais de TV por assinatura: a montagem de pacotes a la carte. Isso significa que ao invés de assinar um serviço que vai te dar 100 canais, sendo que 89 são total perda de tempo, o assinante poderá escolher os 11 que achar mais interessante. O que você acha disso?

Seria excelente, se não houvesse um pequeno detalhe: algumas distribuidoras de canais de TV dizem não estar preparadas para esse modelo. Assim como a indústria de música que está mais habituada a veder um álbum inteiro ao invés de apenas uma faixa, a indústria de canais de TV para assinatura está habituada a vender bloco de canais. Ambas argumentam que vendas a la carte as quebrarão financeiramente. Entretanto um estudo da Nielsen, comentado no artigo Eyeing the economics of on-demand media, diz que a história não é bem assim.

Esse é um assunto atualmente polêmico, que até o presidente da FCC (órgão americano que controla as comunicações naquele país) está se envolvendo, dizendo ser favorável a oferta do serviço.

De qualquer forma, tenho certeza de que é questão de tempo para todos os envolvidos se adaptarem e ofereceram esta nova facilidade para o consumidor.

Gostaria de fazer um esclarecimento. Apesar de eu ter falado em “briga” no post anterior, a disputa entre as empresas de comunicação e as teles pode acabar em parceria.

Tenho dois exemplos para isso. Aqui no Brasil a incorporação da Net pela Embratel e lá fora, na Inglaterra, onde a empresa de TV a cabo NTL ofereceu a compra da Virgin Mobile. No primeiro caso temos uma empresa de telecomunicações tendo acesso mais fácil ao conteúdo e já se preparando para oferecer o Triple Play. E no segundo uma empresa que já distribui conteúdo e que também já é operadora de telefonia fixa, buscando ser QuadPlay.

Muitos outros casos de fusões e aquisições já ocorreram e muito mais ainda estão por vir. Afinal a convergência não é só tecnológica, mas também nos negócios.

E o pau come!

A briga entre operadoras de telecomunicações e de TV já começou e cada um dos lados está querendo agir mais rápido para garantir o seu espaço e ainda abocanhar um pedaço da outra. No artigo “TV na telefonia acirra disputa entre empresas“, da Computerworld, podemos conhecer um pouco o que cada envolvido pensa.

O mais importante ainda não está claro: como, e a que velocidade, nossos legisladores (lembrando que muitos possuem grupos de comunicação) irão atualizar as leis aos novos tempos de forma a termos uma competição saudável? Mas devemos levar em consideração que este é um problema que não ocorre só no Brasil. Mesmo nos Estados Unidos, por exemplo, se discute a criação do Digital Age Communications Act.

Rabão!

Em um bom artigo da Wired e depois na Exame de 23/11/2005 (infelizmente o link para o artigo não está disponível), é descrita a venda de produtos de nichos, definida como Long Tail. Basicamente o que os artigos informam é que graças as facilidades do mercado digital, produtos antes esquecidos nas prateleiras podem ser facilmente descobertos pelos consumidores.

Isso é muito bom para o artista desconhecido, o produtor independente de filmes, o escritor iniciante, entre outros produtores culturais (partindo do princípio que as ferramentas que permitam serem descobertos estejam disponíveis, como na Amazon.com). Entretanto, na indústria da música, certas práticas comercias adotadas pelas editoras podem representar um tiro no pé dos autores e artistas.

As editoras ao cobrarem a taxa de armazenamento (por vezes incentivadas por empresas que possuem interesses próprios) limitam em muito o tamanho do acervo disponibilizado, já que apenas uma centena de músicas poderá custar mais de R$ 100.000,00 só para te-las no catálogo das operadoras (pensando em versões diferentes de uma mesma música como ringtones mono, polifônicos e truetones). Estamos falando antes das vendas propriamente ditas. Isso faz com que apenas os hits sejam disponibilizados e as criações de outros autores nem apareçam nas prateleiras. Isso me faz pensar: será que as editoras não estão com vista curta?

Ao que parece 2006 será também o ano da corrida pelo serviço de música no Brasil. Além dos grandes provedores locais estarem se movimentando para oferecerem o serviço, o Yahoo! também dá sinais de querer ter presença no nosso mercado.

Ao visitar o site da ferramenta de busca, se você clicar na opção Trabalhe no Yahoo!, irá ver uma vaga em aberto de Music Producer (ao menos até a data deste post a vaga ainda estava lá). E uma das funções deste cargo é adquirir conteúdo. Aparentemente é apenas para o serviço Yahoo! Music Radio, mas quem sabe eles não montam um serviço semelhante ao Yahoo! Music Unlimited, oferecido nos Estados Unidos, que engloba assinatura e venda de faixas?

Segundo a IFPI (associação internacional que reúne as principais gravadoras), há hoje mais de 300 sites de venda de música na Internet (no Brasil temos hoje apenas o Imusica em funcionamento mas creio que muito em breve UOL, iG e Terra estarão também lançando seus serviços). Mas fora a Apple, que na verdade ganha dinheiro vendendo Ipod, será que alguém está ganhando dinheiro vendendo música?

Competição com a pirataria, dificuldade de fechar e renovar acordos com as gravadoras (e acrescento: no Brasil também com as editoras), venda versus assinatura e a necessidade de se estar presente neste mercado são alguns dos pontos tratados no artigo da BusinessWeek On Line Music’s Elusive Bottom Line.

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